sábado, 24 de janeiro de 2015

Hora da Leitura: Por uma vida melhor

 



Distribuído pelo MEC, através do Programa Nacional do Livro Didático para a Educação de Jovens e Adultos, a 484.195 alunos de 4.236 escolas, o livro "Por uma Vida Melhor" (Coleção Viver, aprender), de Heloísa Ramos, retoma uma velha discussão: afinal, existe "certo" e "errado" quando o assunto é o idioma?

 O certo é que não cabe escrever para uma parcela da sociedade, dita de linguagem formal, sem levar em conta a escrita que nela predomina. Assim, escrever num artigo científico que "nós pega o peixe" é não querer ser compreendido.  
Da mesma forma conversar com um cidadão iletrado e querer que ele entenda quando alguém diz que "o léxico de um idioma faz parte de um sistema abstrato de signos inter-relacionados" é dificultar a comunicação.

O errado é tratar a parcela da mesma sociedade, dita inculta, como se esta fossem  animais desprovidos de meios sistemáticos de comunicar ideias ou sentimentos. É aqui que reside a discriminação, o preconceito linguístico.

A própria Constituição Federal, a nossa Carta Magna, já apresenta uma discriminação embutida. Afinal, seus termos jurídicos e a sua organização textual são desconhecidos da maioria da população.

Como conhecer os seus direitos e deveres se o cidadão não consegue ler o que para ele é destinado? 

Será que o que é culto não pode ser popular?

Não sei se as escolas públicas são o local adequado para aproximar o falante de sua própria língua, já que todos que ali estão teoricamente almejam novos conhecimentos e capacidades para abrir os portões dos palácios socioculturais dos quais não fazem parte;

mas que tá na hora de nossos acadêmicos e legisladores reverem as suas posturas diante do idioma brasileiro, que insistem em chamar deportuguês, isso tá!

  
Ou é somente vendedor de livros esotéricos, políticos e jogador de futebol que têm vez nos chá das cinco?